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Março 30, 2008 · Deixe um comentário
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Os 50 Melhores Discos de 2007
Março 30, 2008 · 2 Comentários
02) “In Rainbows”, Radiohead
03) “Boxer”, The National
04) “Vanguart”, Vanguart
05) “Person Pitch”, Panda Bear
06) “The Magic Position”, Patrick Wolf
07) “Andorra”, Caribou
08) “A Amarga Sinfonia Do Superstar”, Superguidis
09) “Neon Bible”, The Arcade Fire
10) “Our Earthly Pleasures”, Maxïmo Park
11) “Sky Blue Sky”, Wilco
12) “Ga Ga Ga Ga Ga”, Spoon
13) “Favorite Worst Nightmare”, Arctic Monkeys
14) “The Cool”, Lupe Fiasco
15) “Let’s Stay Friends”, Les Savy Fav
16) “The Stage Names”, Okkervil River
17) “Voxtrot”, Voxtrot
18) “Strawberry Jam”, Animal Collective
19) “The Reminder”, Feist
20) “Night Falls Over Kortedala”, Jens Lekman
21) “Rise Above”, Dirty Projectors
22) “Beyond”, Dinosaur Jr.
23) “Simulacro”, China
24) “Marry Me”, St. Vincent
25) “Carnaval Só Ano Que Vem”, Orquestra Imperial
26) “Magic”, Bruce Springsteen
27) “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”, Of Montreal
28) “From Here We Go Sublime”, The Field
29) “Liars”, Liars
30) “Myth Takes”, !!!
31) “Attack Decay Sustain Release”, Simian Mobile Disco
32) “Myths Of Near Future”, Klaxons
33) “Tones Of Town”, Field Music
34) “A Guide To Love, Loss And Desperation”, The Wombats
35) “Overpowered”, Roísín Murphy
36) “Armchair Apocrypha”, Andrew Bird
37) “Cease To Begin”, Band Of Horses
38) “Challengers”, The New Pornographers
39) “Easy Tiger”, Ryan Adams
40) “Disco Paralelo”, Ludov
41) “Mirroed”, Battles
42) “Era Vulgaris”, Queens Of The Stone Age
43) “Kala”, M.I.A.
44) “Lust Lust Lust”, The Raveonettes
45) “Because Of The Times”, Kings Of Leon
46) “Chega De Falsas Promessas”, Canastra
47) “Untrue”, Burial
48) “Icky Thump”, The White Stripes
49) “23”, Blonde Redhead
50) “Cassadaga”, Bright Eyes
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Os 10 Piores Discos de 2007
Março 30, 2008 · Deixe um comentário
Sem capinhas e sem cometários porque, além desses aqui não merecerem, estou com preguiça.
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10) “A Weekend In The City”, Bloc Party
09) “Zeitgeist”, The Smashing Pumpkins
08) “Cryptograms”, Deerhunter
07) “I Create Disco”, Calvin Harris
06) “Smokey Rolls Down The Thunder Canyon”, Devendra Banhart
05) “Fantastic Playroom”, New Young Pony Club
04) “Yours Trully, Angry Mob”, Kaiser Chiefs
03) “Descartável Longa Vida”, Ecos Falsos
02) “Some Loud Thunder”, Clap Your Hands Say Yeah
01) “We’ll Live And Die In These Towns”, The Enemy
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Melhores Músicas de 2007: 10 – 01
Março 30, 2008 · Deixe um comentário
10) “Golden skans” Klaxons
Enquanto o mundo se concentrava na discussão boba da new rave (existe? não existe? é legal?), os Klaxons preferiram surfar uma outra onda ao invés daquela que eles próprios (supostamente) criaram. Esqueça o disco-punk com influências madchester, “Golden skans” é puro indie-rock psicodélico perfeito. Dá pra dançar, dá pra ouvir na rádio, dá pra bater cabeça no show e também dá pra chacoalhar alguns glowsticks, se for o caso.
08) “All I need” Radiohead
Foram 15 anos para que o Radiohead lançasse sua canção definitiva sobre amor, desejo e obsessão. “All I need” é “Creep”, “High and dry”, “Climbing up the walls” e “True love waits” em uma única música. O instrumental é bastante simples, uma batida fuleira de trip hop que vai duelando com um sintetizador pesado e distorcido e com notas esparsas de um piano, enquanto a voz canta, disléxica, a letra cheia de imagens estranhas e poderosas. Uma mariposa rodeando a luz no teto, um animal preso num carro, os dias que você escolheu esquecer. No final do segundo refrão, a melodia do piano começa ficar mais forte, até que explode junto com a discreta levada de bateria. É o momento em que “In Rainbows” e o Radiohead se revelam em toda a sua grandeza. É o terror das últimas esperanças presente no refrão de “There’s a light that never goes out” dos Smiths misturado com o êxtase espiritual e idealista de “All is full of love” da Björk. É inefável. Nessa confusão de sentimentos, Yorke mata a charada: “it’s all right, it’s all wrong”.
Provavelmente, os melhores 12 minutos (!) de 2007. Ou seria uma vida inteira encapsulada numa música? Verdade é que “Bros” me fez sentir muito mais do que eu poderia compreender. É como se, mais do samples, o Panda Bear tivesse colado pedaços de memória aqui, onde cada barulho remete a um momento, uma história, uma pessoa. É uma sensação estranha (no começo), mas poucas vezes a estranheza soou tão doce.
06) “Let’s dance to Joy Division” MP3
05) “Impossible Germany” MP3
Jeff Tweedy é um homem de grandes palavras e grandes melodias, não tenha dúvida. E “Impossible Germany” é perfeita, como várias outras do Wilco, nos dois quesitos. Confortavelmente estacionado no anos 70, Tweedy ecoa a sutileza rude de um Neil Young com o polimento pop do country alternativo que ele mesmo inventou no Uncle Tupelo. A letra pode ser construída por uma metáfora estranha (o amor é uma Alemanha impossível?), mas nem por isso deixa de emocionar. Aí chega o solo (coisa de velho, podicrê) e você fica incapacidado de balbuciar qualquer coisa. Então, cada nota da guitarra de Jeff é uma batida do seu coração e todas elas – vou cair num clichê trocadilhesco perigoso, mas foda-se – dizem eu te amo.
04) “Stop me” MP3 Mark Ronson feat. Daniel Merryweather
Por essa nem o Morrissey esperava. Quem diria que 20 anos depois, o rockão que foi trilha do fim dos Smiths se transformaria numa das melhores canções soul dos últimos tempos? Passando da crítica à mesmice do pop de 87 ao mal-amor desse 2007, “Stop me” traz a síntese do que Mark Ronson propôs nesses 2 anos de hype: produção caprichada que é tanto sessentista quanto doismilanista, vocal perfeito de algum dos seus protegés e conexões pop – o indie rock com a Motown, o branquelo nerd mal amado com a divas negras duronas e doces do soul – que são a cara desses tempos.
03) “Para abrir os olhos” MP3
02) “Fireworks” MP3 Seja pelo vocal de Avey Tare, seja pelo arranjo, seja pela melodia em si, é impossível não perceber que em “Fireworks” o Animal Collective quis ser tão entendido quanto necessário para entrar no inconsciente coletivo. A voz soa clara, expressiva, enquanto o arranjo é ordenado, quase racional. A melodia é brilhante e grudenta como em “Grass” e “Who can win a rabbit?”, mas agora sua jornada aos corações fica facilitada pela ausência do caos distrativos dos outros trabalhos da banda. Ainda um dos poucos quebra-cabeças irresolutos dos anos 2000, Animal Collective fez de “Fireworks” não só momento mais acessível, mas também sua melhor canção, uma daquelas para figurar entres as grandes do nosso tempo.
01) “All my friends” MP3 Categorias: música · tops
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dance, dance, dance, dance!
Março 24, 2008 · 3 Comentários
Para animar a minha e a sua segunda feira…
Vídeo ofical de “I’m not gonna teach you how to dance with you”, do Black Kids, a 15º melhor música do ano passado. Posso colocar ela em primeiro esse ano, não posso?
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Melhores Músicas de 2007: 20 – 11
Março 15, 2008 · 4 Comentários
20) “Stars”
Patrick Wolf
Depois de dois bons mas irrgulares discos, Patrick Wolf voltou com um álbum que é perfeito nas misturas de folk, eletrônica e pop old school que marca a carreira do cara. “Stars”, penúltima faixa de “The Magic Position”, é o melhor exemplo do que ele é capaz de fazer: sintetisadores, violinos e piano caminhando juntos num crescendo de harmonia absurdo, que maximiza o sentimento de alma lavada do álbum e de toda música de Wolf. Novo Bowie? Bem que pode ser.
19) “Make it wit chu”
Queens Of The Stone Age
Depois a psycho-excentricidade chata de parte do “Lullabies To Paralyse”, o QOTSA voltou com um álbum que é um mais do mesmo do começo ao fim, só que dos bons. E cabe a melhor faixa de “Era Vulgaris” resumir o disco e carreira do grupo. Na superfície, é só uma balada soul-rock, mas ouça de perto e você ser invadido por um caleidoscópio de referências, – doses fartas de blues, psicodelia, country, e rock garageiro – tudo costurado pelo melhor vocal de Josh Homme.
18) “1 2 3 4″
Feist
A feel-good-song-of-the-year. Uma melodia feliz, uma interpretação feliz, uma letra feliz, um clipe ultra-feliz, um comercial feliz. Se você não cometeu assassinatos de velhinhas lerdas, xingou a mãe do motorista ao lado, ou mandou o mundo inteiro para aquele lugar, pode ter sido por causa dessa música.
17) “Tears dry on their own”
Amy Winehouse
Para o bem ou para o mal, 2007 foi o ano da Wino. Entre sucesso massivo e a sarjeta, a magrela teve tempo ainda de lançar esse single maravilhoso que ficou em loop por vários e vários meses no cd player aqui de casa. É basicamente o que “Back To Black” tem de melhor: soul sessentista sobre ser um love-junkie, com arestas polidas pela produção caprichada do Mark Ronson.
16) “Atlas”
Battles
O single que puxou o promissor “Mirroed” é um resumo do que fez do Battles umas das coisas mais interessantes do pop em 2007. Não se engane. Assim como a Britney, o Fall Out Boy e os Arctic Monkeys, o Battles é pop. Talvez não da maneira que você estava esperando, mas ainda POP. Em “Atlas”, a banda desmonta o quebra-cabeça do rock setentista (de Can a Led Zeppelin, de Black Sabbath a Gang Of Four), para então transformar a música no melhor rock de arena que apareceu durante o ano. Os meios podem até ser diferentes, mas o fim – galera fazendo air guitar, batendo cabeça e cantando o refrão (?) – é o mesmo de 30 anos atrás.
15) “I’m gonna teach your boyfriend how to dance with you”
Black Kids
Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de dançar e como eu até faço isso adequadamente (eu acho ou as pessoas mentem…). E todo mundo sabe que a minha vida é buscar as pop songs de três minutos. Então, não é difícil entender porque “I’m not gonna teach your boyfriend how to dance with you” é uma das melhores canções do ano passado. Pop perfeito de 3 minutos que junta Smiths, Cure, Strokes com soul music (nova paixão, anota aí) numa letra que fala sobre dançar bem e ainda sim não conseguir a garota que você quer. Clássico, já.
14) “Grip like a vice”
The Go! Team
O Go! Team não é uma única banda, são vários grupos, cada um tocando uma coisa diferente, só que com a mesma formação. Apesar de não ser tão impactante quanto a estréia “Thunder, Lightining And Strike”, o segundo disco do coletivo inglês trouxe essa pérola chamada “Grip like a vice”. Em menos de 4 minutos, o Go! Team junta rock de estádio, girl groups dos anos 60 (via Spice Girls), new rave, Public Enemy e noise rock, sem que em momento algum a bagunça atordoe o ouvinte.
13) “Mistaken for strangers”
The National
Como a ovelha negra que insiste em jogar os podres a família feliz no ventilador, o National foi a banda anti-2007 e tudo que isso respresenta. Não há esperança, não há hedonismo e não há palavras felizes em “Mistaken for strangers”. Estamos tão fodidos que nem nossos amigos nos reconhecem mais, é o que canta a voz cavernosa de Matt Beringer. No som, a determinação de Bruce Springsteen (sempre ele!) encontra a desolação conformada do Joy Division numa das canções mais aterradoras do ano.
12) “You! Me! Dancing!”
Los Campesinos!
Desde que ouvi essa pela primeira vez, achei impossível que alguém no mundo pudesse não gostar dela. “You! Me! Dancing!” é tão feliz, tão entusiasmada com a vida que fica impossível não sorrir quando os três acordes que formam coluna vertebral da música aparecem pela primeira vez. A canção junta New Order, Belle And Sebastian e Guided By Voices em doses equilibradas e a letra…bem, a letra fala sobre dançar, dançar com seus amigos e não ligar para o que os outros pensam disso, mesmo que você não saiba dar um passo na pista. It’s you! It’s me! And there’s dancing! Dá para querer outra coisa?
11) “Your urge”
Maxïmo Park
É o mesmo caso de “Antes que eu me esqueça”, só que “Your urge” está no 11º lugar dessa lista. Balada nervosa que embalou alguns momentos emocionalmente decisivos de 2007. Enough said.
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Melhores Músicas de 2007: 30 – 21
Março 10, 2008 · Deixe um comentário
29) “Keep the car running” MP3
28) “Stronger” MP3
27) “Melodie day” MP3
26) “Crumble” MP3
25) “Heart of hearts” MP3
24) “Get lucky (The Twelves remix)” MP3
23) “Plasticities” MP3
22) “505″ MP3
21) “Sleeping lessons” MP3Categorias: música · tops
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Melhores Músicas de 2007: 40 – 31
Fevereiro 25, 2008 · Deixe um comentário
Canção-chave de “Easy Tiger”, “I taught myself how to grow old” flagra o melhor compositor de sua geração no momento exato em que esse reaprendeu a sobreviver, depois de experimentar o colapso. No escuro, a gaita chorosa vai dando espaço a um violão tímido, para então servir de cama para o vocal emocionado de Adams, nos conduzindo à claridade branda da sua maturidade. Ryan está de volta, brilhante como sempre.
37) “Apenas leia” Superguidis
Amarando as pontas soltas entre o indie velho (aquela guitarra do Dinosaur Jr. ou do Guided By Voices) e o indie novo (na levada do Rakes ou do Wombats), o Superguidis fez em “Apenas leia” um tratado de poucas palavras sobre se cansar de bater nas mesmas portas fechadas e falar aquelas coisas legais para quem não quer te ouvir. No mais, não perca a vida toda usando wellaton.
“Oh I’m just trying to do my best / I’m not afraid of life, I’m afraid of death / build my love in the things I say / you’ve gotta lift your face to the breaking day”. São poucas as bandas que conseguiriam transformar em emoção sincera a pieguice do refrão acima. E uma delas é o Voxtrot. Não há cinismo nem ironia na voz de Ramesh Srivastava e isso, apoiado nas suas belas melodias, é talvez o que faça o Voxtrot uma das melhores bandas atuais.
Você olha pro vazio. Vai buscar água e a geladeira parece ser a única coisa que fazer sentido. A melhor música possível é a da água fria do chuveiro caindo sobre sua cabeça. Aquele velho seriado idiota na TV serve para te fazer esquecer daquelas frase de climáx de comédia romântica que você gostaria ter soltado na noite passada. Seu mundo não acabou, mas, por hoje, qualquer sentido que ela podia ter, se foi. Juntando as pontas soltas entre o synth pop oitentista e a eletrônica minimalista, James Murphy encapsulou toda a desolação da fossa num única música. E ainda tem gente que diz que não há alma na música eletrônica.
34) “Our life is not a movie or maybe” MP3
Esse single arrebatador que antecedeu o quarto disco dos americanos do Okkervil River é um grande paradoxo. Num efeito brilhante, a letra diz que nossas vidas são filmes ruins, sem climáx e beijo romântico no final, enquanto o instrumental ecoa Bruce Springsteen e a voz emocionada de Will Sheff aparece épica como num grande clássico hollywoodiano. Simples e catártica.
33) “Us placers” MP3
Essa é daquelas “não tinha como dar errado”. O CRS – Child Rebellion Soldiers ou Chicago Runs Sheet – é na verdade a junção dos três melhores rappers desses tempos, Kanye west + Lupe Fiasco + Pharell. A mania de colaboração é coisa velha no pop americano, mas ás vezes produz maravilhas como essa. Não bastasse o flow perfeito dos três, “Us placers” é basicamente uma reconstrução de “The eraser”, faixa-título e obra-prima do álbum solo de Thom Yorke.
32) “The past is a grotesque animal” MP3
Of Montreal
O Bowie paranóico e invetivo de Berlin tendo como banda de apoio os Flaming Lips se os Flaming Lips tocassem synth pop oitentista fuleiro. Essa base repetitiva e maravilhosa fazendo cama para uma letra que parece de um Morrissey com problemas hiper-grafia ou um Pete Wentz, se esse tivesse lido algum livro além de Harry Potter. O Of Montreal é freak desse jeito, mas como nenhuma outra banda atual, eles conseguem transformar toda essa estranheza em algo brilhante e emocionalmente devastador.
31) “Umbrella” MP3
Rihanna feat. Jay-Z
Não se engane, por trás do sorriso maroto (ha!) e das curvas cuidadosamente esculpidas, existe muita esperteza – ou pelo menos um bom assessor. Depois de samplear Soft Cell (óbvio, mas eficiente) e meter medo na Beyoncé com a maravilhosa “S.O.S.” (2006), Rihanna chamou Jay-Z “na chincha” para tomar de assalto as paradas do mundo inteiro. E fez isso da maneira mais estranha possível. “Umbrella” passa longe de uma hit song comum, é fria, dark, e com um batimento seco e lento. No fim das contas, soa como uma canção do Public Enemy produzida pelo Martin Henett, com uma letra de electro paranóico (que a Kylie Minogue daria os dentes para ter gravado) que caí perfeita na cama de sintetisadores ecoando as fases mais ecuras do Depeche Mode. Como eu disse, não se engane: “Umbrella” é pop perfeito, mas não da maneira que estamos acostumados.
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sobre o oscar e outras coisas
Fevereiro 24, 2008 · 1 Comentário
Se existe uma coisa que eu adoro em mim é essa esperteza auto-crítica e auto-misericordiósa de lonely boy que eu carrego pela minha vida. Saca o diálogo:
livio diz:
eu fui rever juno e sangue negro.
(…)
Bernardo diz:
foste sozinho?
livio diz:
com um balde de pipoca e um litro de refrigerante.
Só faltou um “com quem mais?” no fim da minha última frase para isso poder estar num roteiro de filme indie-sensação ou – deixa eu ser pretensioso – numa letra do Morrissey (ou do Jarvis Cocker, ou do do Brendan Benson, ou dos Los Campesinos, ou dos Black Kids…).
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That said, vamos ao Oscar.
Acho que pela primeira vez vi todos os 5 indicados a Melhor Filme antes da premiação. Num top, ficaria assim:
1- Sangue Negro
2- Juno/Onde Os Fracos Não Tem Vez
4- Desejo e Reparação
5- Conduta de Risco
“Sangue Negro” é o grande filme dos últimos anos, não tenha dúvida. É um épico que serve como reflexo para o estado das coisas nesses tempos tão negros quanto o petróleo que Daniel Plainview almeja. E não me venha com essa que Daniel Plainview é o vilão do ano.
Ele não é vilão coisa nenhuma. Nada de essência da maldade ou coisa do tipo (deixe essas considerações para o Anton Chigurh). Ele é humano e isso é o mais aterrador. O Chigurh de “Onde Os Fracos Não Tem Vez” é com certeza amedrontador, mas é um só personagem de ficção (você não vê pessoas com pistolas de ar comprimido antando por aí, vê?). Daniel Plainview, seja pela pertubora atuação do Daniel Day-Lewis ou não, é carne, osso e mal-estar perfeitamente tangível. Daniel Plainview sou eu, é você e é sua mãe. I drink your milkshake. I drink it up.
Sociologia a parte, “Sangue Negro” também é uma aula de cinema. Muitos podem reclamar do roteiro e da montagem. É sim um filme lento, difícil, mas, ei, nem tudo é um clipe do Hype Willians. PT Anderson conduz seu filme como um veículo do que o seus personagens significam. Por exemplo, quando a raiva toma conta de Plainview, a onda negra surge por de trás dele ameaçadora. Quando toda sua ganância se mostra, a brasa da fogueira ilumina seu rosto e, em especial, seus olhos de um vermelho único.
A cena final entra fácil num hall de melhores de todos os tempos. “I’m finished”. O quão genial é isso?
É um filme pertubador, conduzido por uma trilha perturbadora, feito por um diretor perturbador. É um clássico, mesmo que você não pense assim agora.
“Onde Os Fracos Não Tem Vez” é também um grande filme sobre o mesmo tema de “Sangue Negro”. Mas devido a imensidão desse, parece pequeno.
O roteiro é brilhante – nervoso, fechado e com um final instigante – e o Javier Bardem mereceria o Oscar de Melho Ator (coadjuvante my ass), se esse não fosse inteiro do Day-Lewis.
“Juno” é ultra-amável e complementar ao seus dois principais concorrentes no Oscar. Costumo dizer que não acredito em nada mais além do amor e da música (o quão piegas é isso?) e “Juno” é cheio dessas duas coisas que nos fazem continuar. No mínimo, reconfortante.
Já “Desejo e Reparação” seria um grande filme se os outros não fossem melhores. É bom, mas old-Hollywood demais para esses tempos. Tem grandes cenas (a da guerra é fabulosa), sotaque inglês de primeira e uma bela trilha sonora, mas talvez se torne ainda menor quando eu ler o livro (está na lista), o assim chamado “primeiro grande romance do século XXI”.
E enfim temos “Conduta de Risco”, um thriller-político bem feito igual a tantos outros. Está na lista, eu acho, porque todos amam o George Clonney. Ou então pela campanha maciça que os produtores vêm fazendo junto à academia, como conta a Ana Maria Bahiana no blog dela. Se ganhar, vai ser um mico gigante.
No mais, vamos ao bolão. (Indicações aqui)
Melhor Filme
Quem merecia: “Sangue Negro”
Quem ganha: “Onde Os Fracos Não Tem Vez” ou “Juno”, por serem infinitamente mais Hollywood-friendly do que meu preferido.
Melhor Diretor
Quem merecia: Paul Thomas Anderson por “Sangue Negro”.
Quem ganha: Os Coen (“Onde Os Fracos Não Têm Vez”) ou o Julien Schnabel por “O Escafrando e a Borboleta” (ainda inédito no Brasil) que levou o Cannes e o Globo de Ouro.
Melhor Ator
Quem ganha e merece ganhar: Daniel Day-Lewis. Se derem o Oscar para o Clonney, vai ser um micão, por que ele ganhou merecidamente pelo mesmo papel há dois anos atrás. Se derem para o Depp, é por reparação histórica indevida.
Melhor Atriz
Quem ganha: Marion Cotillard ou Julie Christie. Na verdade, só vi mesmo a Ellen Page (good, not great), então não me atrevo ir além do feijão-com-arroz.
Melhor Ator Coadjuvante
Quem ganha e merece ganhar: Javier Bardem. Devia estar na categoria principal (o filme é todo dele), mas é até bom que não esteja para não disputar com o Day-Lewis.
Melhor Atriz Coadjuvante
Quem ganha e merece ganhar: Cate Blanchett. Ainda não vai ser dessa vez que ela leva melhor atriz, e ela merece mais por interpretar um Dylan melhor do que 5 marmanjos no filme que eu resenhei aqui.
Melhor Roteiro Original
Quem ganha e merece ganhar: “Juno”. É aqui que os independentes fazem a festa. Só tomar cuidado com “The Savages” outro indie forte.
Melhor Roteiro Adaptado
Quem ganha e merece ganhar: “Onde Os Fracos Não Têm Vez”. Em questão de roteiro, os Coens não são fáceis de bater.
Fotografia
Quem ganha e merece ganhar: “Sangue Negro”.
Direção de Arte e Figurino
Quem ganha: “Desejo e Reparação”, como prêmios de consolação.
Filme de Animação
Quem ganha: “Ratatouille”. Pixar sempre imbatível, mesmo sem ter visto “Persepolis”.
Trilha Sonora
Quem ganha: “Desejo e Reparação”.
Canção
Quem ganha: alguma das três de “Encantada”, mas eu preferia “Falling slowly” do “Once”, que ainda não estreiou aqui no Brasil.
Maquiagem
Quem ganha: “Piratas do Caribe”.
Efeitos Visuais
Quem ganha: “Transformers”.
Montagem Sonora
Quem ganha: “O Ultimato Bourne”.
Mixagem Sonora
Quem ganha: “Os Indomáveis”.
Filme Estrangeiro
Quem ganha: “Beaufort”.
Documentário Longa
Quem ganha: “Taxi to the Dark Side”.
Documentário Curta
Quem ganha: “Sari’s Mother”.
Animação Curta
Quem ganha: “Peter & The Wolf”.
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Melhores Músicas de 2007: 50 – 41
Janeiro 31, 2008 · 1 Comentário
50) “Archangel” Burial
O Burial foi um daqueles fenômenos que ninguém sabe de onde veio extremamente e nem como aconteceu sem ninguém perceber, só que, estrago feito, é quase impossível viver sem ele. “Archangel” é um soul desfigurado como um quebra-cabeça espalhado numa mesa. Enquanto tudo não se encaixa, é pura imperfeição. Mas, dê-lhe tempo, e as peças vão se juntando sozinhas, formanto uma imagem das mais belas encontradas na música eletrônica em 2007.
49) “Miss Simpatia” Canastra
Fica a dica: se tanto homens e mulheres fossem tão sinceros quanto a letra de “Miss Simpatia”, o mundo seria um lugar melhor. “Não me leve a mal / Hoje eu tô afim de ser superficial / Eu até acho que a gente formaria um bom casal / Quem sabe um dia eu te procure pra que a gente bata um pao com teor mais intelectual”, diz Renatinho no refrão. É legal ser um cara legal, mas também não é fácil e tem dias que dá sim vontade de ser superficial, não é minha gente? O pessoal do Canastra sabe disso e embala tudo numa melodia que parece saída dos anos 20, com todo climinha big band de abertura de novela das seis. Se não fosse tão sincera, tocaria até em casamento.
48) “XR2″
M.I.A.
“Onde você estava em 92?! Onde você estava em 92?!”, a M.I.A. te perguta no começo de “XR2″. No caso, você não interessa, mas Maya Arulpragasam podia estar no meio dos primeiros bailes funks aqui no Rio, num show do Aphex Twin ou fazendo poses no espelho enquanto ouvia o “Erotica” da Madonna. Isso sim é que é ser globalizado e pós-moderno.
Com a maré baixando, os sobreviventes do tsunami-emo começam a dar seus passos para fora da praia – ou quase. Enquanto o My Chemical Romance foi de Queen e o Panic At The Disco (sem exclamação, se não eles choram) parece que vai de Beatles, o Fall Out Boy veio com um álbum de pop-rock honesto e ganchudo, – herança dos pós-grunge do fim dos anos 90 – mas aduterado pelo sucesso massivo da música negra americana, garantindo identidade onde todas as franjas parecem iguais. “The take over, the breaks over” é a melhor faixa de “Infinity On High” e é daquelas que dissipa qualquer preconceito, acredite.
46) “Catch you” Levanta o braço quem não gostaria de ser perseguido por uma ruivassa de vestido vermelho pelas ruas de Veneza? No clipe de “Catch you”, Sophie Ellis-Bextor realiza seu sonho, meu amigo. Tudo isso muito bem sonorizado com um eletro-pop arrasa-quarteirão, que soa como um mashup entre Strokes e Britney.
45) “She’s got you high” Mumm-Ra
Se o mundo é um lugar mais feliz hoje do que há 50 anos atrás, culpe os britânicos. “She’s got you high” é mais um daqueles pequenos milagres que a música das ilhas produz desde que os Beatles pegaram o rock (e o amor) para si, e disso tiraram toda uma linguagem própria tão simples que cabe até num rótulo, o british pop. Ou britpop, que é mais adorável ainda. Quase Coldplay, quase XTC, quase Beatles, “She’s got you high” é pop perfeito com o sotaque que melhor soube cantá-lo.
44) “Supermercado do amor” Confusão é o que dá em colocar tanta gente
43) “Detlef Schrempf” Neil Young é um senhor de 62 anos cuja influência na música pop é certamente mais difícil de ser quantificada do que o número de cestas de um jogador da NBA. A comparação não parece só estapafúrdia, mas é e só serve mesmo para falar que a melhor canção do segundo disco do Band Of Horses – “Cease To Begin”, todinho Neil Young de boa safra – foi nomeada em homenagem (???) ao jogador de basquete americano Detlef Schrempf. Alguém aí entendeu?
42) “Antes que eu me esqueça” Vanguart
Me cito, para ficar mais honesto: “mas há também espaço para escolhas realmente pessoais, como vocês vão perceber”. É justamente esse caso. A Música tem deses dons perigosos de falar o exatamente que estamos sentindo, na hora que isso se dá. Aí as canções passam a ser “suas” e a única coisa a ser feita – não que seja você que faça, afinal é involuntário – é deixar o coração bater mais forte e escolher entre sorriso, lágrima, ou todas as alternativas anteriores. Para os que não são eu, “Antes que eu me esqueça” é uma belíssima balada que bebe da espaciliadade de “Subterran alien homesick” do Radiohead e da tristeza reconfortante do Dylan de “Blood On The Tracks”.
41) “You got yr. cherry bomb”
Spoon
Não se pode ensinar ensinar novos truques a macacos velhos, no entanto, se o primata for mais inteligente, um chipanzé, ele até pode aprender sozinho. Da estréia “Telephono”, pixieana como todo indie rock daquela época, até “Ga Ga Ga Ga Ga” são 12 anos de carreira construída tijolo por tijolo, sólida o suficiente para aguentar os redirecionamentos estéticos que devem fazer parte da trajetória dos que sobrevivem. Na melhor faixa do seu último disco, o Spoon esbanja maturidade na fusão perfeita entre do indie-rock-raça-pura de sempre com o pop sessentista da Motown. É o que o Maroon 5 faria se não fosse macaco-prego.
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