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Então, 453 mil anos.
E tudo mudado ou mudando. Tanta coisa. Tanta coisa mesmo.
Acho que aos poucos eu estou aprendendo a me livrar daquilo que me faz mal. Talvez crescendo, não sei bem. A confusão é a de sempre, mas, enfim, taí um ponto que me define. Eu acho.
Fato é que eu realmente estava com vontade de voltar ao perdido e às minhas crises, e achar uma coisa que eu acreditava ter jogado no lixo há priscas eras só me fez ter mais vontade ainda. A tal coisa, um dia importante, é talvez a melhor mixtape que eu tenha gravado. Uma pena que só eu tenha ouvido, mesmo. Sabe, ela faz um sentido absurdo. É quase lógica e essencialmente kick-ass. Não tem nome, não cheguei a esse ponto. No CD só está escrito “MIXTAPE #02″, por que ela foi a segunda.
Enfim, são essas as últimas canções, para quem se interessa
MIXTAPE #02
1. “Por Entre As Mãos”, Superguidis
2. “You Can Make Him Like You”, The Hold Steady
3. “Crumble”, Dinosaur Jr.
4. “Brainy”, The National
5. “A Girl In Port”, Okkervil River
6. “Heartbeats”, José González
7. “Ballad Of Carol Lynn”, Whiskeytown
8. “Don’t Know Why”, Neil Young
9. “Impossible Germany”, Wilco
10. “Ball And Biscuit”, The White Stripes
11. “Make It Wit Chu”, Queens Of The Stone Age
12. “Antes Que Eu Me Esqueça”, Vanguart
13. “Show Your Hand”, Super Furry Animals
14. “Adelaide”, Mombojó
15. “Fireworks”, Animal Collective
16. “Vapour Trail”, Ride
17. “Little Lover’s So Polite”, Silversun Pickups
18. ” A Certain Romance”, Arctic Monkeys
E os olhos continuam secos, sabe se lá por quê.
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02) “In Rainbows”, Radiohead
03) “Boxer”, The National
04) “Vanguart”, Vanguart
05) “Person Pitch”, Panda Bear
06) “The Magic Position”, Patrick Wolf
07) “Andorra”, Caribou
08) “A Amarga Sinfonia Do Superstar”, Superguidis
09) “Neon Bible”, The Arcade Fire
10) “Our Earthly Pleasures”, Maxïmo Park
11) “Sky Blue Sky”, Wilco
12) “Ga Ga Ga Ga Ga”, Spoon
13) “Favorite Worst Nightmare”, Arctic Monkeys
14) “The Cool”, Lupe Fiasco
15) “Let’s Stay Friends”, Les Savy Fav
16) “The Stage Names”, Okkervil River
17) “Voxtrot”, Voxtrot
18) “Strawberry Jam”, Animal Collective
19) “The Reminder”, Feist
20) “Night Falls Over Kortedala”, Jens Lekman
21) “Rise Above”, Dirty Projectors
22) “Beyond”, Dinosaur Jr.
23) “Simulacro”, China
24) “Marry Me”, St. Vincent
25) “Carnaval Só Ano Que Vem”, Orquestra Imperial
26) “Magic”, Bruce Springsteen
27) “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”, Of Montreal
28) “From Here We Go Sublime”, The Field
29) “Liars”, Liars
30) “Myth Takes”, !!!
31) “Attack Decay Sustain Release”, Simian Mobile Disco
32) “Myths Of Near Future”, Klaxons
33) “Tones Of Town”, Field Music
34) “A Guide To Love, Loss And Desperation”, The Wombats
35) “Overpowered”, Roísín Murphy
36) “Armchair Apocrypha”, Andrew Bird
37) “Cease To Begin”, Band Of Horses
38) “Challengers”, The New Pornographers
39) “Easy Tiger”, Ryan Adams
40) “Disco Paralelo”, Ludov
41) “Mirroed”, Battles
42) “Era Vulgaris”, Queens Of The Stone Age
43) “Kala”, M.I.A.
44) “Lust Lust Lust”, The Raveonettes
45) “Because Of The Times”, Kings Of Leon
46) “Chega De Falsas Promessas”, Canastra
47) “Untrue”, Burial
48) “Icky Thump”, The White Stripes
49) “23”, Blonde Redhead
50) “Cassadaga”, Bright Eyes
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40) “Foundations”
Kate Nash
Quem pode culpá-las? Elas cresceram ouvindo Spice Girls e assistindo Sex & The City. Aí aprenderam a tocar violão. E sobrou para nós, homens, aguentar dezenas de canções de dezenas de garotas diferentes sobre como nós somos uns babacas. Como pop, “Foundations” é adorável, mas como ato de repúdio dá saudade do tempo em que só existia a PJ Harvey.
39) “Sipping on sweet nectar”
Jens Lekman
Na sua jornada para se tornar o Sinitra indie, Jens Lekman faz uma parada acertada no tempo. Sai a mistura entre o indie pop noventista (Belle And Sebastian, Magnectic Fields) e o cancioneiro clássico dos 50, para entrar de pé no momento fugidio entre os singles da Motown dos 60’s e a disco-music dos 70’s. (Indie) Pop clássico para fãs de Camera Obscura e Bee Gees.
38) “I taught myself how to grow old”
Ryan Adams
Canção-chave de “Easy Tiger”, “I taught myself how to grow old” flagra o melhor compositor de sua geração no momento exato em que esse reaprendeu a sobreviver, depois de experimentar o colapso. No escuro, a gaita chorosa vai dando espaço a um violão tímido, para então servir de cama para o vocal emocionado de Adams, nos conduzindo à claridade branda da sua maturidade. Ryan está de volta, brilhante como sempre.
37) “Apenas leia”
Superguidis
Amarando as pontas soltas entre o indie velho (aquela guitarra do Dinosaur Jr. ou do Guided By Voices) e o indie novo (na levada do Rakes ou do Wombats), o Superguidis fez em
“Apenas leia” um tratado de poucas palavras sobre se cansar de bater nas mesmas portas fechadas e falar aquelas coisas legais para quem não quer te ouvir. No mais, não perca a vida toda usando wellaton.
36) “Blood red blood”
Voxtrot
“Oh I’m just trying to do my best / I’m not afraid of life, I’m afraid of death / build my love in the things I say / you’ve gotta lift your face to the breaking day”. São poucas as bandas que conseguiriam transformar em emoção sincera a pieguice do refrão acima. E uma delas é o Voxtrot. Não há cinismo nem ironia na voz de Ramesh Srivastava e isso, apoiado nas suas belas melodias, é talvez o que faça o Voxtrot uma das melhores bandas atuais.
35) “Someone great”
LCD Soundsystem
Você olha pro vazio. Vai buscar água e a geladeira parece ser a única coisa que fazer sentido. A melhor música possível é a da água fria do chuveiro caindo sobre sua cabeça. Aquele velho seriado idiota na TV serve para te fazer esquecer daquelas frase de climáx de comédia romântica que você gostaria ter soltado na noite passada. Seu mundo não acabou, mas, por hoje, qualquer sentido que ela podia ter, se foi. Juntando as pontas soltas entre o synth pop oitentista e a eletrônica minimalista, James Murphy encapsulou toda a desolação da fossa num única música. E ainda tem gente que diz que não há alma na música eletrônica.
34) “Our life is not a movie or maybe” MP3
Okkervil River
Esse single arrebatador que antecedeu o quarto disco dos americanos do Okkervil River é um grande paradoxo. Num efeito brilhante, a letra diz que nossas vidas são filmes ruins, sem climáx e beijo romântico no final, enquanto o instrumental ecoa Bruce Springsteen e a voz emocionada de Will Sheff aparece épica como num grande clássico hollywoodiano. Simples e catártica.
33) “Us placers” MP3
CRS
Essa é daquelas “não tinha como dar errado”. O CRS – Child Rebellion Soldiers ou Chicago Runs Sheet – é na verdade a junção dos três melhores rappers desses tempos, Kanye west + Lupe Fiasco + Pharell. A mania de colaboração é coisa velha no pop americano, mas ás vezes produz maravilhas como essa. Não bastasse o flow perfeito dos três, “Us placers” é basicamente uma reconstrução de
“The eraser”, faixa-título e obra-prima do álbum solo de Thom Yorke.
32) “The past is a grotesque animal” MP3
Of Montreal
O Bowie paranóico e invetivo de Berlin tendo como banda de apoio os Flaming Lips se os Flaming Lips tocassem synth pop oitentista fuleiro. Essa base repetitiva e maravilhosa fazendo cama para uma letra que parece de um Morrissey com problemas hiper-grafia ou um Pete Wentz, se esse tivesse lido algum livro além de Harry Potter. O Of Montreal é freak desse jeito, mas como nenhuma outra banda atual, eles conseguem transformar toda essa estranheza em algo brilhante e emocionalmente devastador.
31) “Umbrella” MP3
Rihanna feat. Jay-Z
Não se engane, por trás do sorriso maroto (ha!) e das curvas cuidadosamente esculpidas, existe muita esperteza – ou pelo menos um bom assessor. Depois de samplear Soft Cell (óbvio, mas eficiente) e meter medo na Beyoncé com a maravilhosa “S.O.S.” (2006), Rihanna chamou Jay-Z “na chincha” para tomar de assalto as paradas do mundo inteiro. E fez isso da maneira mais estranha possível. “Umbrella” passa longe de uma hit song comum, é fria, dark, e com um batimento seco e lento. No fim das contas, soa como uma canção do Public Enemy produzida pelo Martin Henett, com uma letra de electro paranóico (que a Kylie Minogue daria os dentes para ter gravado) que caí perfeita na cama de sintetisadores ecoando as fases mais ecuras do Depeche Mode. Como eu disse, não se engane: “Umbrella” é pop perfeito, mas não da maneira que estamos acostumados.
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Eu não gosto de Junho nem de Julho. O argumento astrológico (para quem acredita) é que esses dias antes do aniversário marcam o que chama-se de inferno astral, período de turbulências lá nos astros que acabam afetando nossas vida.
Baboseria ou não, eu nunca gostei muito de Junho e nem de Julho. Sério, acho que percebi isso com uns 14 ou 15 anos, e fez tanto sentido que coloquei essa conclusão num daqueles pedestais imaginários de grandes certezas pessoais que a gente às vezes tira do armário para exibir ou consolar.
As últimas semanas, te digo, não foram nada fáceis. Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou e eu ainda estou tentado me acertar nesse novo traçado de algumas áreas da minha vida. Há muita coisa a resolver, e eu nem sei por onde começar.
Mas eu me conheço o suficiente para saber que surtar agora não é uma idéia bem vinda. Pelo contrário, Foco, meu caro, a apalvra de ordem é Foco. E lucidez.
Sorte que eu ainda tenho o rock para me por no caminho certo. Como só ele é capaz, o rock é uma das poucas coisas que conseguem trazer um pouco de estabilidade. Não sei se me faço compreender, mas sabe um daqueles dias atolados de outros pequenos problemas em que você chega em casa tão cansado que tudo que você queria era um prato de qualquer comida e um colchão fuleiro? Aqueles dias caóticos em tudo o que você procura é um pouco de estabilidade que te faça abstrair, ou melhor, colocar em perspectiva todos os grandes problemas? E de repente você se depara com um disco de rock, cheio de riffs e me melodias ganchudas e letras que mesmo que obviamente não sejam feitas para você acabam sendo feitas para você.
É aí que está um dos grandes trunfos do rock. Essa capacidade de te por de pé, de te fazer olhar no espelho e pensar “você consegue, garotão”. Tudo na capsula de um bom riff de guitarra.
Poucas sensações são melhores do que chegar em casa, ligar o computador, baixar um disco novo e descobrir que aqueles minutos de download valeram muito a pena e se deleitar com novos riffs, novas melodias, novas tiradas espertas.
Na verdade, todo esse texto é por causa desses efeitos provocados pelo segundo trabalho dos gaúchos do Superguidis, “A Amarga Sinfonia Do Superstar”. O título do post vem de “Riffs”, faixa escondida que encerra o disco. E que disco! São rocks fodidos, cheios de bons riffs e letras espertas, com tiradas mais espertas ainda. O álbum de estréia prometia, mas nem nas minhas melhores especulaçóes eu esperava tanto deles.
“A Amarga Sinfonia Do Superstar” é fácil um dos discos do ano. E melhor que isso, ele é o MEU disco de agora, desse momento, desse feeling. Aquela faísca de estabilidade espontânea que eu tanto busco na música.
Por isso, obrigado, muito obrigado meu querido rock n’ roll.
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